Pesquisa do IAC encontra uma solução contra o greening: permitir a respiração dos laranjais

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06/05/2020
GRANBLACK Fertilizante Líquido Premium de Alto Desempenho Entrevista Para Imprensa

A solução do nariz entupido das crianças é empregada para combater o greening, a aids dos laranjais

Simone Cristina Picchi – Pesquisadora da Ciacamp

O greening é a mais grave doença da citricultura. Até agora a ciência não encontrou uma solução contra os danos causados por colonias de bactérias que interrompem a circulação da seiva das árvores, e levam à sua morte. Até o momento conseguiu-se apenas saber que ele é transmitida por um vetor, o psilídeo, pequeno inseto que habita os brotos das laranjas – é que é de dificil controle. 

Os pesquisadores  já sabiam dessas dificuldade desde quando se puseram a combater outro pequeno inseto que voa pelos pomares – a cigarrinha, vinda dos pastos. Com a cigarrinha, chegaram à origem de outra doença da laranja, o CVC. Aprenderam que a doença (a xylella, também uma bactéria) é transmitida pela mandíbula do bichinho. A cada picada, a saliva contida nas mandibulas transmite a doença bacteriana.

No entanto o CVC e outras doenças bacterianas que afetam os pomares – como o cancro cítrico e o amarelinho -, são consideradas problemas menores perto do greening. Depois de dizimar os pomares do centro do Estado de S. Paulo, o greening já está instalado nos pomares da Flórida (EUA) e a cadeia do suco de laranja se mostra sem perspectivas de sobrevivência. 

Ou seja, em termos de severidade, o cancro cítrico pode ser considerado como um “câncer leve” dos pomares; já o greening, é a “aids” da citricultura.

O custo do manejo do greening varia entre 5% a 10% do custo total de produção, o que representa em média R$ 845,00 por hectare de laranjas. Quando o greening se instala em 60% da planta a produção da laranjeira já sofreu uma queda de produtividade de 68%.

Pesquisadores do IAC (Instituto Agronômico de Campinas), liderados pela dra. Alessandra Alves de Souza, começaram a procurar outro caminho. Entre erros e poucos acertos, a pesquisadora Alessandra procurou uma solução humana. Observou que as pessoas, principalmente as crianças, ao ficarem com seus narizes entupidos, sofrem queda de resistência contra o ataque de bactérias e registram aumento de estress. Ou seja, ficam mais doentes. Solução? desobstruir os narizes.

A pesquisadora concluiu que as laranjeiras precisavam ter desobstruidos os floemas, os pequenos vasos que circulam pelas laranjeiras, principalmente nas folhas – pois é por ali que as plantas respiram. Mas com qual produto? a solução veio de um aminoácido, o NAC (abreviatura de acetilcisteína).

Nos humanos a acetilcisteína é indicado para as criança, utilizado como expectorante quando o neném (e adultos também) tem dificuldade para expectorar, causada pela bronquite, a enfisema pulmonar, ou pneumonia (resultando na inflamação nos pulmões e brônquios). Um sofrimento… Nas laranjeiras o greening causa o mesmo problema, redundando na morte da planta.

A molécula do NAC trouxe outros beneficios para os vasos entupidos por greening. Limpou as bactérias e rejuveneceu os floemas, graças à eliminação dos radicais livres. A laranjeira se desestressou… e, como os humanos, passou a ter uma cor mais viva, e cobertura vegetal  (como a pele) mais limpa..  Com a passagem de água e nutrietes, a vida voltou aos laranjais.

Isso não significa, ainda, a solução para doença, mas sim uma forma de manejo dos pomares, permitindo a convivência de plantas fortes contra as obstruções da colonias, os chamados “biofilmes”, pelotas de colonias grudentas que tomam conta dos pequenos vasos das folhas.

A luta contra o greening trouxe outra superação para as costumeiras dificuldades que afetam as pesquisas no Brasil – a falta de verbas. Através de leis libertadoras e inovadoras, o Governo do estado permitiu a criação de startups incubadas dentro do centro de pesquisa Syvio Moreira, em Cordeirópolis (voltado integralmente  para as pesquisas da citricultura). 

Uma das pesquisadoras do IAC, a dra. Simone Cristina  Picchi criou uma empresa, a Ciacamp, que associou-se à fabricante de fertilizantes de S. Carlos, a AmazonAgrosciences, e daí para a formulação de um adubo liquido foi um passo. Surgiu o “GranBlack”, que já está em utilização por 40 citricultores.

A dra. Simone mostra num video abaixo como funciona o “desentupimento” proporcionado pelo NAC e os resultados nas plantas — menor queda de frutos, maior resistencia ao ataque dos psilideos e rejuvenescimento dos laranjais. Igualzinho ao que acontece com as pessoas, completa ela. (acompanhe a entrevista acima).

O GranBlack não é, portanto, um remédio, um antibiótico, e sim um rejuvenescedor da planta. É importante esse esclarecimento, pois outra batalha acontece em torno do produto do IAC: empresas concorrentes denunciam à Anvisa (e ao Ministério da Agricultura) que o GrandBlack seria um agrotóxico e necessitaria de registro mais severo. 

Os pesquisadores do IAC replicam que o produto é um rejuvenescedor (suplemento) vegetal, que repõe os minerais para a planta. Mas, na dúvida, mais testes são pedidos pelo MAPA, novos lotes são vistoriados e o desalento campeia pelos pomares de S. Paulo, afetados pela aids da citricultura. 

Conclusão… maior que a dificuldade de enfrentar o greening, agora os pesquisadores do IAC se deparam com a luta surda da burocracia. Com isso o tempo passa, o psilídeo voa, o greening entope os laranjais e o Brasil perde a sua condição de maior exportador de suco de laranja do mundo. 

Abaixo, veja um vídeo com mais informações sobre o GranBlack:

Uso do NAC nos pomares citrícolas é eficiente contra doenças bacterianas de citros

Por Carla Gomes (MTb 28156) – Assessora de imprensa – IAC

Equipe do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, liderada pela pesquisadora,Alessandra Alves de Souza, iniciaram, em 2012,  pesquisas em laranjeiras com Clorose Variegada dos Citros (CVC) e observaram que a molécula N-acetil-cisteína (NAC) foi benéfica às plantas doentes. O NAC já éusado na medicina por longa data, sem qualquer contraindicação conhecida, e seu uso no manejo de doenças em plantas é uma descoberta do IAC, patenteada e já licenciada, com exclusividade, para a empresa Ciacamp Desenvolvimento e Inovação Tecnológica Ltda. Somente esta detém legalmente o direito de fazer uso da tecnologia e já produz, em parceria com a empresa Amazon Agrosciences Ltda um fertilizante foliar, a partir dessa descoberta inédita do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Nas pesquisas com as plantas, foram observadas a diminuição no crescimento da bactéria da CVC, a Xylellafastidiosa, e a remissão de sintomas foliares da doença. Neste caso, para a CVC, concluiu-se que além de a molécula agir sobre a bactéria, diminuindo o crescimento, ela pode proporcionar aumento de produtividade às plantas devido à ação antioxidante do NAC.

“Os resultados mostraram que essa molécula não só reduziu a quantidade de bactérias capazes de colonizar o xilema, no caso da CVC, como também teve efeito de desprendimento da comunidade bacteriana de Xanthomoans citri que vive sobre as folhas, no caso do cancro cítrico”, explica a pesquisadora do IAC.

Em relação ao Greening, os trabalhos estão sendo conduzidos pela empresa CiaCamp, de acordo com o termo de cooperação entreo Instituto Agronômico, a CiaCamp e a Amazon Agrociences. A partir dessa parceria, foi desenvolvido o Gran Black, um fertilizante organomineral que utiliza a tecnologia do NAC para potencializar o metabolismo da planta e, assim, reduzir os danos causados pelo Greening.

De acordo com a pesquisadora Simone Picchi, da CiaCamp, os resultados têm demonstrado eficiência na desobstrução dos vasos do floema, devido à ação antioxidante do Gran Black, restaurando o fluxo da seiva e disponibilizando osnutrientes para a planta.“Esse efeito reduz a queda dos frutos das plantas com sintomas de Greening”, diz Simone.

Porém, isso não significa, ainda, uma solução para o Greening, mas sim uma forma de manejo dos pomares, vislumbrando uma mudança na legislação vigente quanto a esta doença, que se baseia na erradicação de plantas sintomáticas, conforme consta no link https://www.defesa.agricultura.sp.gov.br/.

A luta contra o Greening trouxe outra superação para as costumeiras dificuldades que afetam as pesquisas no Brasil — a falta de verbas. Por meio de legislação inovadora, o Governo do Estado de São Paulo viabilizou a criação de startups incubadas dentro de centros de pesquisas paulistas, entre eles o Centro de Citricultura do IAC.

A CiaCamp nasceu dessa iniciativa e se caracteriza por ser uma startup que estátentando levar ao camposresultados de pesquisas financiadas pelo próprio Estado. A CiaCamp se associou à fabricante de fertilizantes AmazonAgrosciences, em São Carlos, interior paulista, e para formular o “GranBlack”, produto que contém o NAC.

Greening: a mais grave doença da citricultura

Até agora a ciência não encontrou uma solução contra os danos causados pela bactéria causadora do Greening, conhecida como Candidatus Liberibacter. Sabe-se que esta bactéria, ao colonizar o floema das plantas, prejudica-o, dificultando o translocamento de carboidratos para os órgãos em crescimento da planta, como raízes, ramos novos e frutos. Esses danos,em casos extremos,podem levar à morte da planta.

Até o momento, conseguiu-se apenas saber que a bactéria é transmitida por um vetor, o psilídeo, inseto que habita as brotações novas de laranjeiras. O inseto, quando se alimenta de plantas doentes, adquire a bactéria e a retransmite ao se alimentar em uma planta sadia. Ainda que o psilídeo possa ser de difícil controle, os pesquisadores recomendam atenção com os pomares.

Além dos pomares de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul, o Greening está presente também na Flórida, nos EUA, onde a severidade da doença é superior à encontrada em São Paulo. A experiência americana mostra que se o Greening sair de controle, a cadeia produção de suco de laranja pode ser severamente afetada. O custo do manejo do Greening varia entre 5% a 10% do custo total de produção, o que representa em média R$ 845,00, por hectare de laranjas. Quando o Greening se instala em 60% da planta, a produção da laranjeira já sofreu uma queda de produtividade de 68%.

Por: João Batista Olivi

Fonte: Notícias Agrícolas

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